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Comunicado: “Je ne peux plus parler portugais?”

O princípio do fim começou em 2010 quando a tutela do ensino de português no estrangeiro passava  do Ministério da Educação para o Instituto Camões – Ministério dos Negócios Estrangeiros. Numa das suas primeiras intervenções junto da imprensa, a Presidente do Instituto Camões incendeia as comunidades portuguesas ao declarar que « o ensino de português como língua materna poderia acabar em certos países ». Poucos meses depois, os problemas apareceram: em setembro de 2010, constatam-se enormes irregularidades na elaboração dos horários das escolas portuguesas na Bélgica e é anunciada a supressão de várias turmas fora de Bruxelas. A comunidade reage. Mil assinaturas são recolhidas em apenas uma semana. Encontra-se uma solução parcial para o primeiro ponto. O segundo não e os portugueses residentes fora de Bruxelas são discriminados. Pensa-se que o pior passou, que a forma como a comunidade reagiu chegou para mostrar que era impensável mexer no mais precioso dos nossos direitos. Mas não.

Um ano mais tarde, inicia-se o ano letivo de 2011 com a mesma novela e faz-se pior! Volta-se a irritar pais e angustiar professores ao impôr horários absurdos. Dois professores ficam sem horário, as turmas têm alunos em excesso e vários alunos sem aulas. Dos sete professores que restam, apenas um dispõe de um horário completo. Para cúmulo, a Coordenadora do Benelux demite-se e para o seu lugar é nomeado um coordenador adjunto, sediado no Luxemburgo. Em Bruxelas, a Coordenação fecha e nas atuais instalações da Embaixada, não existe um gabinete para apoio mínimo ao serviço pedagógico (um telefone, um computador, uma fotocopiadora). Mais uma vez, a comunidade sente-se traída. Pais, professores e alunos estão consternados com a situação.

Novembro de 2011: a bomba. Os sindicatos são informados da intenção do Governo em suprimir 50 postos de professores até ao fim deste ano, o que põe em causa 5.000 alunos em todo o mundo a meio do ano letivo! E mais: fala-se também da possibilidade de suprimir 200 lugares de professores já no próximo ano letivo. Está em causa o ensino da língua a 20.000 alunos, praticamente metade da atual rede de ensino para as comunidades portuguesas.

Estamos a viver um momento histórico na nossa comunidade, como em todas as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, porque, até parece mentira estar agora a escrever estas palavras, O ENSINO DE PORTUGUÊS NO ESTRANGEIRO PODE ESTAR MUITO PRÓXIMO DO FIM.

Isto é um atentado à nossa dignidade, uma falta de respeito sem precedente pelos nossos direitos e um ataque à nossa inteligência.

Veem-nos assim tão ingénuos e comodistas?

A reação da nossa comunidade, e de todas as comunidades, deve mobilizar cada um dos 5 milhões de portugueses da diáspora de forma bem clara porque se ficarmos de braços cruzados, os nossos filhos perderão o acesso à aprendizagem da língua e cultura portuguesas de forma irreversível!

Está nas nossas mãos. Temos de mostrar o quanto estas intenções nos revoltam e acredito que temos a necessária capacidade de intervenção para alterar esta patética falta de visão política.

Um abaixo-assinado poderá ser a primeira das iniciativas em marcha e conto com uma adesão em peso de toda a comunidade neste movimento de protesto.

Pedro Rupio, Conselheiro das Comunidades Portuguesas eleito na Bélgica
 
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