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Debate na Rádio Voz Portugal - Intervenção sobre o Movimento Associativo · União no movimento associativo
As associações representadas na Bélgica são as embaixadoras directas da comunidade portuguesa. Têm uma responsabilidade considerável na projecção da imagem comunitária. Por esse motivo, defendo uma colaboração concreta e regular entre as diferentes associações com maior peso na Bélgica. Mais do que uma imagem simbolicamente positiva junto dos portugueses na Bélgica, é uma forma extremamente interessante de dinamizar os pontos mais sensíveis da nossa comunidade, sendo estes: a participação cívica, a divulgação da nossa cultura e a formação linguística dos nossos compatriotas.
Num primeiro tempo, sugiro o planeamento frequente de reuniões entre os principais dirigentes das associações portuguesas na Bélgica. Como referido, este fortalecimento de relações irá igualmente projectar uma imagem exemplar e positiva de união na comunidade, estando as associações na posição certa para veicular esse tipo de imagem. Obviamente, estas reuniões não estarão baseadas unicamente com este intuito. Estes encontros irão ser a plataforma oportuna para coordenar vários projectos de carácter cultural, pedagógico ou cívico.
· Participação cívica
São inúmeros os portugueses que frequentam as colectividades nacionais possuidoras de uma sede. Semanalmente, várias centenas de portugueses visitam estes estabelecimentos. São, portanto, locais estrategicamente primordiais para promover um ponto essencial como o da participação cívica.
Nesse âmbito, proponho várias sugestões. A primeira está directamente ligada ao termo “união” que, para mim, passará a ser sinónimo de associativismo na Bélgica. Pretendo sensibilizar a comunidade a uma colaboração pioneira para promover as inscrições dos portugueses residentes na Bélgica, tanto para as eleições relativas a Portugal, como para aquelas relacionadas com a Bélgica. Como mencionado acima, as associações portuguesas da Bélgica têm um impacto importante junto das pessoas que as frequentam e o facto de estas entidades se aliarem para promover tal sugestão irá, certamente, dinamizar e despertar uma vontade de participação dos nossos compatriotas.
Para as associações detentores de sede, sugiro a implementação de postos de recenseamento. A descentralização de comissões de recenseamento eleitoral pode ser posta em prática após ser feito um pedido à STAPE que será, então, publicado no Diário da República se aceite.
· Federação das Associações Portuguesas na Bélgica (FAPB)
O leitor constatará certamente a importância que dou à união ou colaboração entre as associações. É nesse contexto que a criação de uma Federação das Associações Portuguesas na Bélgica se revela como sendo a continuação lógica das minhas ideias. A coordenação e colaboração entre as associações poderá assim ser real e mais concreta. Mais do que isso, a criação desta estrutura será essencial para dar uma força indispensável junto das autoridades belgas e portuguesas. Desta forma, poder-se-á estabelecer um diálogo interessante com a Embaixada portuguesa sobre os vários eventos organizados pela comunidade onde a entidade nacional também tem um papel importante. Uma colaboração e coordenação sinceras e eficazes serão directamente benéficas para os portugueses da Bélgica e até para Portugal.
Não é um projecto novo, longe disso, não pretendo mostrar-me como o pioneiro dessa ideia mas acho primordial que esta iniciativa se concretize. Irei estabelecer os contactos necessários para que todas as colectividades cheguem a um acordo mútuo sobre este projecto.
· Juventude
Eis outro tema que, ao meu ver, se revela como essencial no movimento associativo. Observa-se que a juventude não se implica suficientemente nas diferentes associações portuguesas. Talvez isso se explique pela falta de vontade dos dirigentes que parecem não perceber o quão importante é a participação dos jovens para a continuação da vida das colectividades e da contribuição essencial que estes podem trazer. Ou talvez, por falta de interesse destes últimos por não encontrarem nas associações actividades que são dos seus reais interesses. Mais uma vez, utilizarei o termo “colaboração” porque julgo que um diálogo regular e real entre as colectividades e a Coordenação do ensino de português na Bélgica seria uma primeira etapa para atingir esse objectivo.
· Colaboração Coordenação Pedagógica/Movimento Associativo
Outro ponto de primeira importância na candidatura da Lista da Comunidade: o desenvolvimento de interacção entre as associações portuguesas presentes na Bélgica e a coordenação do ensino de português na Bélgica. Regozijo me por ter tido a iniciativa pioneira relativa a esta visão. Em 2006, quando era membro da direcção e da comissão de cultura da APEB, propus a colaboração entre a associação e a coordenação pedagógica da embaixada para a realização de uma exposição sobre o tema do 25 de Abril. Os jovens contribuíram com várias centenas de desenhos, poemas e outras ilustrações trazendo uma frescura muito especial à exposição organizada. Foi extremamente emocionante observar toda a dedicação desses jovens graças aos seus trabalhos e o interesse demonstrado durante a exposição. No final, foi praticamente uma centena de crianças que participou no evento, com a preciosa colaboração dos professores, marcando dois passos importantes na nossa comunidade: uma maior abertura e aproximação entre a juventude luso-descendente e a sua cultura e um primeiro contacto com o movimento associativo que tanto precisa duma maior participação destes jovens para bem da divulgação da nossa cultura.
· Ensino de português/outras formações e dinamização de novas actividades
Tendo consciência da dificuldade que abrange tais iniciativas, enalteço porém a importância que têm as associações sobre este ponto pela proximidade que as ligam à comunidade. Os portugueses necessitam de falar a língua do país de acolhimento, por sua vez os luso-descendentes precisam de conhecer a sua língua de origem. A dinamização de actividades, como cursos de informática, grupos de teatro, grupos de canto tradicional irão, certamente, atrair um número considerável de novos membros duma faixa etária juvenil.
· Acompanhamento no ensino recorrente
É de louvar a coragem e a vontade demonstrada pelas pessoas que aderem ao ensino recorrente. O ideal seria a existência de um acompanhamento adequado para haver maiores probabilidades de sucesso nesse sistema de ensino. As associações podem ter um papel importante nesta matéria disponibilizando os locais necessários para o dito acompanhamento embora, na realidade, este ponto dependa inteiramente do voluntariado de alguns membros da comunidade portuguesa da Bélgica. Será necessário estabelecer alguns contactos para observar quais são as possibilidades para que esta proposta se concretize.
· Guia da Comunidade
Nos últimos dez anos, foram lançados dois guias para a comunidade portuguesa belga. Este é um instrumento fundamental para todos nós. Que seja pela iniciativa de particulares, associações ou empresas, não há dúvida que este guia é importantíssimo para os portugueses da Bélgica.
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