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Entrevista ao Lusojornal Bélgica (edição de dezembro) |
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Quatro Conselheiros das Comunidades portuguesas voltaram a pedir uma audiência ao Primeiro-Ministro, José Sócrates, para debaterem questões que preocupam os portugueses residentes no estrangeiro. Este novo pedido surge depois de não terem obtido resposta positiva à solicitação de audiência que fizeram em setembro. “Compreendemos a sua falta de disponibilidade para nos receber, mas entendemos ser inaceitável que uma audiência solicitada ao Governo tenha sido substituída por um encontro com uma delegação do Partido Socialista”, lê-se na carta que enviaram ao Primeiro-Ministro. A chefiar essa delegação estava o ex-Secretário de Estado das Comunidades José Lello, que revelou estar “alheado das políticas do Governo para as Comunidades”, afirmam os Conselheiros António Fonseca, Alcides Martins, Amadeu Batel e Manuel Beja. Curiosamente, o Presidente do Conselho Permanente não assina esta carta. Além da política do Governo para as Comunidades, os Conselheiros querem debater com José Sócrates o relacionamento entre o Conselho das Comunidades Portuguesas e o Executivo e o futuro do CCP. O LusoJornal quis saber a opinião de Pedro Rupio, membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, eleito na Bélgica. LusoJornal: O que acha do facto de quatro Conselheiros terem pedido um encontro com o Primeiro Ministro? Pedro Rupio: Para as Comunidades e os Conselheiros que as representam, existem temas essenciais que merecem uma particular atenção. Mas verifica-se que as diversas entidades responsáveis das políticas orientadas para a emigração desprezam cada vez mais questões sensíveis como o ensino de português, só para dar este exemplo. Acho pertinente a vontade dos meus colegas Conselheiros mostrarem ao mais alto nível da esfera política que estas situações não podem degradar-se continuamente. É isso que os portugueses residentes no estrangeiro esperam de nós: um Conselho atento e empreendedor. LusoJornal: Como vê o facto do Presidente do Conselho Permanente não ter assinado esta carta? Pedro Rupio: Só contactando os principais interessados é que terá uma resposta adequada. Mas não é novidade porque a articulação no seio do CCP não é sempre perfeita. LusoJornal: Como vê a ação do Presidente do CCP? Pedro Rupio: Chegamos praticamente a meio mandato e não se pode dizer que o desempenho do Presidente esteja isento de erros. Do que tenho seguido, regozijo-me do trabalho efetuado pela maior parte das Comissões temáticas do Conselho mas penso que o Presidente ou o próprio Conselho Permanente poderiam ter feito um melhor trabalho. Ainda nos resta algum tempo para inverter essa situação mas o órgão que integramos precisa de ganhar força e credibilidade. Precisa de gente que tenha garra e paixão para defender uma causa tão nobre como as Comunidades portuguesas. E precisa de um elemento à sua frente que represente esses valores e que reúna o consenso dos cerca de 70 membros que compõem o Conselho das Comunidades Portuguesas. Não digo que o nosso Presidente não tenha essas competências mas até agora, não foi sempre o caso e urge haver uma clara mudança nesse sentido. LusoJornal: O que acha do facto do Primeiro Ministro ter mandado o CCP encontrar-se com dirigentes do Partido Socialista? Pedro Rupio: O que me perturbou mais foram as respostas dadas por essa delegação: que não tinha “competência para responder às perguntas colocadas”. Para que serviu o encontro, então? De qualquer forma, penso que a atitude apresentada é simplesmente a face visível da importância que a política portuguesa dá às suas Comunidades. LusoJornal: Como considera que o Ministro Luís Amado vê o Conselho? Acha que ele é sensível às causas da emigração? Pedro Rupio: Já temos um governante que detém a responsabilidade direta da pasta da emigração: o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. No entanto, é de lamentar a falta de iniciativas do Ministro dos Negócios Estrangeiros junto das Comunidades portuguesas. Paralelamente a esta questão, continuo com a convicção que os 5 milhões de portugueses residentes no estrangeiro têm a dimensão e o potencial que justifique a criação de um Ministério que lhes seria inteiramente dedicado. Os cabo-verdianos já evoluíram nesse sentido. É tempo que o mesmo se perceba em Portugal. LusoJornal: Como considera a ação do Secretário de Estado das Comunidades? Pedro Rupio: Dos 5 anos de mandato, destacam-se algumas medidas de relevo mas de modo geral, penso que a quantidade ou a qualidade das iniciativas apresentadas é proporcional à atenção que o Governo quer dar às Comunidades ou seja: praticamente nula. Aliás, se tiver que enumerar todas as situações problemáticas existentes nas Comunidades, podia facilmente preencher esta edição do Lusojornal… De qualquer forma, não me permito responsabilizar diretamente o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas pois acredito que o problema central é a inexistência de estratégia política deste Governo para as Comunidades portuguesas.
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