| Comunicado sobre resultado das eleições europeias |
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Bruxelas, 10 de Junho de 2009
Excelentíssimos Senhores,
Decorreu mais um acto eleitoral para os portugueses da Bélgica. Desta vez o nosso dever cívico foi de eleger os 22 políticos que representarão Portugal no Parlamento Europeu. Nas comunidades, a participação cívica foi historicamente marcada por uma fortíssima abstenção de 97.5%. Raramente se votou tão pouco na Diáspora. É certo que as eleições europeias costumam atrair pouca gente às urnas mas não há dúvida que o resultado das votações nas comunidades foi fraquíssimo. Dos 5 milhões de portugueses, cerca de 200.000 tinham capacidade de voto e desses, somente 5.000 exerceram o seu dever de cidadão… As razões são várias e a primeira será certamente a falta de interesse pela política. Mas será adequado salientar que pouco foi feito para incentivar a participação e o interesse destes últimos a nível global. É verdade que se viu na televisão campanhas de promoção sobre as eleições europeias mas estas eram pouco apelativas. Pior ainda, milhares de folhetos e cartazes foram enviados pela Secretaria de Estado das Comunidades ao Consulado de Portugal na Bélgica mas não serviram para nada, ou quase, tendo em conta que foram enviados a meia-duzia de dias das eleições. Será falta de organização, falta de interesse pelas comunidades ou ambas as razões? No entanto, não posso deixar de felicitar a iniciativa do Consulado de Portugal na Bélgica que promoveu o recenseamento eleitoral durante vários meses, o que levou a um aumento de centenas de compatriotas nas listas eleitorais. Hoje, somos mais de 2.600 portugueses recenseados na Bélgica. A participação da comunidade portuguesa da Bélgica também foi reduzida: votaram apenas 367 pessoas (metade dos 711 portugueses que, em 2006, votaram para as eleições presidenciais). Apesar de tudo, a nossa comunidade continua a ser um exemplo. A taxa de participação de 15% é das mais altas no mundo e também podemos regozijar-nos de ter tido mais votantes que no Consulado de Portugal em Paris, cidade que, como sabem, conta com centenas de milhares de emigrantes portugueses. Ainda há muito caminho por percorrer mas será primordial haver uma postura diferente por parte do Governo, implementando finalmente acções concretas em prol da participação cívica das comunidades portuguesas. Por outro lado, também é da nossa responsabilidade apostar numa atitude mais participativa e dinâmica de forma a atrair a atenção das autoridades portuguesas e belgas. Termino este comunicado desejando a todos umas boas férias e aproveito para informar que os cadernos de recenseamento estão novamente abertos para aqueles que quiserem votar nas próximas eleições legislativas.
Com os melhores cumprimentos,
Pedro Rupio |
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