| Comunicado sobre as declarações da Presidente do Instituto Camões |
|
|
|
|
Antes de tudo, é necessário verificar se as declarações da Dra. Ana Paula Laborinho tinham verdadeiramente o significado encontrado num artigo recente da Agência Lusa porque quero crer que houve um problema de comunicação aquando do seu contacto com a referida agência. No entanto, se não houve lapso nenhum, a intervenção da nova Presidente do Instituto Camões revela-se extremamente ofensiva para com as comunidades portuguesas. O Conselho das Comunidades Portuguesas luta há décadas pelo crescimento do ensino de português em países que contam com milhões de compatriotas como os Estados Unidos da América, a Venezuela, o Canadá mas nunca houve vontade política para o fazer. É igualmente arrepiante observar que o orçamento de Estado para o ensino de português no estrangeiro tem diminuído continuamente nos últimos anos, chegando hoje aos 33 milhões de euros previstos para o ano de 2010, cerca de 25% de menos que em 2006 !… Para informação, esses 33 milhões podem parecer muito mas não há comparação com os 6.000 milhões de euros dedicados ao ensino em Portugal. A desproporção é gigantesca, milhões de compatriotas vêem-se discriminados por não terem acesso à aprendizagem da língua portuguesa mas mesmo assim, se as declarações vierem a ser confirmadas, conseguiu criar-se uma situação ainda pior ao atacar o ensino de português no estrangeiro como língua materna que a emigração considera como um instrumento sagrado e utilíssimo para os milhares de luso-descendentes vivendo nos quatro cantos do mundo. Chegamos a esquecer o ponto i) do 74° artigo da Constituição Portuguesa onde consta que se deve “Assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa ». O certo é que o Conselho das Comunidades Portuguesas irá estar muito atento ao desenvolvimento desta questão. Com os melhores cumprimentos, Pedro Rupio In Lusa: Ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países - presidente Instituto Camões Lisboa, 15 Jan (Lusa) - A presidente do Instituto Camões (IC), Ana Paula Laborinho, admitiu hoje que o ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países porque o objectivo é a sua integração nos sistemas de ensino no estrangeiro. "Isso (fim do português como língua materna) tem de ser analisado caso a caso. Não significa descontinuar em todos os casos. Vamos ter de fazer uma avaliação caso a caso da situação dos países onde o português está e qual a melhor estratégia", disse à Lusa. Ana Paula Laborinho falava à margem da conferência "A Língua Portuguesa e as Relações Internacionais", que decorre hoje na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. "O objectivo é a integração do português nos sistemas de ensino", sublinhou a responsável. Nesse sentido, Ana Paula Laborinho reafirmou a intenção de Portugal apoiar o ensino do português em países como os Estados Unidos ou o Canadá, onde há anos o ensino é feito sobretudo em associações de emigrantes. A presidente do IC defendeu ainda a importância de se "reforçar a importância do português num instrumento de trabalho", considerando que essa é uma "linha fundamental". Nesse âmbito, Ana Paula Laborinho considerou também fundamental a formação de tradutores e intérpretes nos esforços para reforçar a presença do português junto de organizações internacionais. Sob o tema "À Conquista de Novos Espaços", o primeiro painel da conferência contou com os temas "O Papel do IC na Promoção Externa da Língua Portuguesa" e "Tétum e Português, Línguas co-oficiais de Timor-Leste". Ao falar sobre este último tema, Isabel Feijó, que esteve a dar formação em Timor-Leste, debateu a problemática de, apesar de ser língua oficial, o português não ser falado ou percebido pela grande maioria dos timorenses e defendeu que a resposta para a expansão da língua portuguesa pode estar no tétum. "Deve haver uma forte aposta no ensino formal do tétum - que tem uma grande base portuguesa. O tétum deve ser considerado património da Lusofonia e pode ser uma plataforma para a promoção do português", afirmou. A conferência termina esta tarde com um painel sobre "A Língua Portuguesa nas Organizações Internacionais". MCL. Lusa/fim |
| < Précédent | Suivant > |
|---|



